Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Partilhar, partilhando

Aqui falo de coisas minhas e coisas que vou vendo ou vou sabendo. O que gosto e o que não gosto. Falo de tudo e de nada!

Partilhar, partilhando

Aqui falo de coisas minhas e coisas que vou vendo ou vou sabendo. O que gosto e o que não gosto. Falo de tudo e de nada!

Uma portuguesinha saudosa

20150805_083913.jpg

 

No caminho de Zurique para Innsbruck, através dos Alpes, parámos para tomar café em Vaduz, a pequena cidade capital do Principado do Liechtenstein. Uma cidadezinha pequena, dominada pelo castelo no cimo do penhasco, residência oficial do Príncipe de Liechtenstein. Em baixo existe pouco mais do que a igreja, o edifício do parlamento, bancos, alguns hotéis e uma rua onde penso que deve estar concentrado o comércio local. Era cedo, a rua do comércio estava ainda sem movimento, apenas se via o pessoal do nosso grupo, cinquenta portugueses. Entrei numa loja de souvenirs para comprar o habitual pin para a minha colecção, e quando já estava a pagar, aparece vinda do armazém da loja, uma jovem portuguesinha. Tinha ouvido falar português e ela que não estava a atender na altura, porque a loja estava praticamente vazia, veio saudosa até nós. Disse-me, que em dois anos e meio que trabalhava em Vaduz, nunca tinha visto ali um grupo de portugueses em passeio. Os pais que estavam desempregados, há três anos tinham deixado Portugal para ir trabalhar na Suiça, e ela que não queria ir, ainda ficou cá seis meses na esperança de arranjar um emprego. Não arranjou e foi para junto deles. Vivia na Suiça e vinha para ali trabalhar todos os dias. Fiquei admirava, mas ela disse-me que Vaduz ficava muito perto de casa. E disse-me mais. Se arranjasse um emprego em Portugal, vinha embora. Os olhos ficaram tristes, prestes a deixar cair as lágrimas.  Deu para sentir o quanto estava cheia de saudades. E tive pena, muita pena, não só por ela como pelos milhares que tiveram de sair, não por opção pessoal, mas porque a isso foram obrigados, por não encontrarem no seu país condições para poder ter uma vida digna. Espero e desejo que a situação económica melhore, pois tal como esta jovem, se tiverem oportunidade, muitos regressarão, e todos são cá precisos.

Sair do país, por vontade pessoal, por um projecto de vida, para ganhar experiência de estudo ou de trabalho,  para conhecer outros povos e outras realidades, é uma coisa, outra coisa bem diferente é ter de deixar o país onde nasceram, porque não lhes são dadas possibilidades para crescer e ganhar autonomia, para aqui ter a sua casa, os seus filhos e aqui viver a sua vida, se for esse o seu desejo.

Fiquem bem.

Mary S.

 

Turistar, cansa!

 Região dos  Lagos - Áustria, 04.10.2015.jpg

 

Desde que cheguei de férias ainda não meti os pés na rua. Vinha cansada, mal dormida, farta de apanhar sol na moleirinha, com dores de cabeça, enfim, vinha rebentada. Isto de ser turista debaixo de um sol abrasador e suportar temperaturas de 37 e 38º graus à sombra, imagine-se à chapa do sol, é coisa para rebentar qualquer um. Descansar de noite era impossível, sobretudo quando não havia ar condicionado, e os quartos e corredores dos hotéis, todos muito bem artilhados para o frio, revestidos com alcatifas bem altas, (só de as ver ainda ficava com mais calor). Não conseguia dormir naquela espécie de sauna, abria a janela, mas não adiantava, durante a noite pouco refrescava e ainda por cima, dependendo dos locais, ou ouvia os comboios a passar toda a noite, ou o trânsito e quase sempre o pessoal na rua, que ficava nas esplanadas até às tantas. E às 6 da manhã tocava a alvorada.

Por tudo isto tenho estado hibernada em casa a recuperar das férias. Mas hoje já vou apanhar ar.

Fiquem bem.

Mary S.