Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Partilhar, partilhando

Aqui falo de coisas minhas e coisas que vou vendo ou vou sabendo. O que gosto e o que não gosto. Falo de tudo e de nada!

Partilhar, partilhando

Aqui falo de coisas minhas e coisas que vou vendo ou vou sabendo. O que gosto e o que não gosto. Falo de tudo e de nada!

Comeres da minha terra - As ervas aromáticas

depositphotos_77379682-stock-photo-fresh-herbs-han

 (foto retirada da Net)

 

Não sou do Alentejo, a região do país que mais utiliza as ervas aromáticas, mas desde pequena fui habituada a vê-las fazer parte dos cozinhados, porque na minha região também se usam muito. 

Acho que tem a ver com um costume muito antigo. Nos meses de Verão os homens abalavam da terra e iam para o Alentejo trabalhar nas eiras para a debulha do trigo. Nas eiras das grandes herdades, trabalhavam e viviam em condições muito difíceis, em virtude do grande esforço físico que lhes era exigido, não só pelo trabalho, como pelas elevadas temperaturas. E saudades muitas, da família e da terra.

Esse sacrifício tinha como principal objectivo que no final do Verão pudessem regressar a casa e trazer consigo algum dinheiro para suportar o rigor do Inverno, quando estavam semanas seguidas sem ganhar.

Julgo que será por causa dessa vivência com os alentejanos que, na minha região se fazem vários pratos à moda do Alentejo, sobretudo sopas e açordas e se utiliza muito as ervas aromáticas. Estou a falar de uma região no Oeste, num tempo de poucos recursos, onde a maioria trabalhava a terra como jornaleiros, tal como na época os alentejanos.

E onde usamos nós as ervas aromáticas? Em quase tudo. Costumo dizer que só não as usamos no arroz-doce, que é a sobremesa principal da minha região. Usamos muito a salsa em tudo o que é estufado, guisado e pastéis, muitos coentros sempre, nas saladas, nas favas, nas ervilhas e nas açordas. Usamos segurelha na sopa de feijão verde. Usamos muito os óregãos na salada de tomate e nos caracóis. No tempero das azeitonas usamos a erva que se apanha no mato e que chamamos, erva das azeitonas. Temperamos o coelho criado em casa, com ervas para que o sabor se pareça com coelho bravo. Usamos a hortelã nas sopas de carne. Num tacho de barro coloca-se o pão cortado aos pedaços e deita-se por cima o caldo da panela. Também usamos por vezes fazer assim as sopas de feijão branco e feijoca, mas estas não levam hortelã. Temos ainda a açorda de bacalhau com coentros e as sopas de bacalhau com rodelas de batata e tomate. Sopas e açordas, eu não falei? Para isto também contribui muito o nosso tipo de pão. É famoso o pão do Oeste. Este casamento gastronómico só poderia resultar bem. 

E vai longa a dissertação sobre alguns comeres da minha terra de origem e da sua estreita ligação com as ervas aromáticas, que sempre vi crescer nos quintais ou vi serem recolhidas no campo e sem as quais alguns pratos para mim, ficam imperfeitos. Por incompletos. 

Fiquem bem.

Mary S.

4 comentários

Comentar post