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Falo de coisas minhas e coisas que vou vendo ou vou sabendo. O que gosto e o que não gosto. Falo de tudo e de nada!

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15
Dez18

Celebrações em família


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Todas as famílias têm os seus segredos. De entre eles estão os ligados à culinária, que vão sendo passados aos que cresceram habituados a saborear as delícias. Quantas vezes ouvimos falar em pratos principais ou doces, que ninguém fazia melhor que a avó ou a mãe. Acontece muito, sobretudo nas comidas do tempo de Natal.

É comum ouvir falar no sabor único do cabrito,  no recheio do perú, no caldo verde, no arroz-doce, no leite creme ou nas filhoses. Sabores que gravamos na nossa memória como únicos, tendo a ver sem dúvida, com a qualidade da confecção, mas também por estarem associados a momentos passados em família, que fazem parte das nossas melhores recordações.

Em muitos casos esses momentos, tal qual nos lembramos, já não podem ser integralmente repetidos, porque a vida não se compadece. Restam-nos as recordações e uma forma de homenagear quem falta à mesa, é falar neles, rir até do que diziam ou faziam nesses dias de convívio e esforçarmo-nos para que, as actuais celebrações em familia sejam o mais possível semelhantes às da nossa memória.

Fiquem bem.

 

28
Nov18

Um Domingo caseiro


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No Domingo passado, por culpa da chuva que praticamente não parou, não saí de casa. Foi um Domingo caseiro. Aproveitei para fazer umas arrumações que andava a adiar, fiz comida para os primeiros dias da semana, o que me facilitou bastante a vida, depois foi a lista de presentes de Natal e para o final da tarde, vi um filme embrulhada na minha manta quentinha, fiel e inseparável companheira deste tempo e destes dias. A chuva continuava, a rua parecia um rio e as árvores estavam num alvoroço. Então tive uma ideia - isto está a pedir um lanche ajantarado com aquelas coisas que sei serem do agrado dos meus queridos comensais. A pensar em mim, fiz arroz-doce, também tenho direito de quando em vez às tentações açucaradas. Adoro arroz-doce. Quente de preferência. 

Gosto destes dias, em que o estado do tempo nos aconselha a ficar recolhidos no nosso casulo. São bons para fazer coisas que gostamos e usufruir calmamente do convívio com os que estão junto de nós.

Fiquem bem.

 

15
Nov18

Miúdos que não querem comer


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Se o meu filho mais velho foi um caso sério para dormir, já aqui contei, o mais novo foi pior, porque não queria comer. Até aos dois meses bebeu sempre as quantidades de leite recomendadas e aumentava bem, mas a partir daí começou a recusar até chegar a estar dezasseis horas sem comer. Um desespero. Fez vários exames para despistar alguma doença, mas felizmente não acusaram nada e com o tempo chegou-se à conclusão que ele pertencia à classe das crianças difíceis para comer, as tais que sempre existiram e que têm de calhar a alguém. Experimentou vários leites e teve de começar com a papa mais cedo, mas comia algumas colheres e o resto ficava no prato. A médica introduziu o leite de vaca para experimentar e aconteceu uma espécie de milagre, o miúdo começou a beber o leite. Afinal a minha querida criaturinha não gostava dos leites de bebés. As coisas melhoraram. Passou a beber o leite todo e gostava, quanto à comida bastavam-lhe umas três ou quatro colheres. Em termos de peso aumentava pouco, mas crescia. Ficou um palito.

Antes de começar a dar-lhe as refeições, já eu estava ansiosa, a médica dizia que isso não era bom, nem para mim nem para ele, mas não conseguia evitar. À medida que crescia e ia tendo mais entendimento, valiam-me as histórias, comia quando estava distraído, se dava por isso, acabou-se. Perante a minha insistência e quando já falava, chegou a dizer a chorar "mãe, não gosto de comer".  Foi assim até aos seis anos, mas a partir dessa idade foi mudando, aos poucos começou a comer sem haver tanto drama à hora das refeições, e nunca mais o ouvi dizer que não gostava de comer. Muito pelo contrário, hoje é o que se pode chamar um bom garfo. Às vezes quando o vejo comer com tanto prazer, lembro-me do que ele e eu sofremos por causa da comida. 

Se conto esta experiência é porque aprendi que a nossa ansiedade transmite-se aos nossos filhos. Devemos ouvir quem nos diz que abrandemos, que não vivamos numa constante preocupação. É melhor encarar e pensar que se passou o dia só a leite, amanhã talvez consiga dar-lhe a sopa e alguma fruta esmagada. São crianças que não comem a dose de comida dita "normal" para a idade, nem se encaixam nos horários estabelecidos. Sem nunca desistir, devemos tentar relaxar e pensar que um dia as coisas vão certamente melhorar, tal como me diziam, um dia vão acabar por comer normalmente, às vezes demora é verdade e custa bastante, claro que sim, mas o stress, a ansiedade, às vezes o desespero e as lágrimas da nossa parte, nestes casos não ajudam mesmo nada. 

Fiquem bem.

12
Nov18

As Crónicas do meu blog - A melhor paella


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Paella Barceloneta almoço.jpg

 

O dia tinha amanhecido impróprio para fazer turismo. Céu bastante carregado, chuva e vento. Justamente no último dia na capital da Catalunha, que estava destinado a conhecer Barceloneta, zona de praia, conhecida também por ter muitos restaurantes, onde me tinham dito que se comia bem. O tempo iria melhorar, pensei, nos dias anteriores tinha estado um tempo de quase Verão. Arrisquei.

Vesti um casaco que supostamente era impermeável, calcei umas botas, peguei no chapéu de chuva e saí do hotel rumo ao destino planeado. Tinham-me recomendado um bom restaurante para almoçar, cujo nome estava anotado no mapa da cidade que levava comigo, mas a chuva que nunca parou, quase o desintegrou. Comecei a descer as Ramblas e entrei no Cafè de l'Òpera, bebi um café, comi uns churros e deixei-me ficar um tempo a ver se a chuva passava, mas tal não aconteceu. Segui viagem.

Quando finalmente cheguei a Barceloneta, ia encharcada até aos ossos, quiçá até à alma. Um desconsolo. O chapéu de chuva ficou num caixote do lixo completamente esfrangalhado. Entrei no primeiro restaurante, porque o que queria era sair da chuva, enxugar-me e  aconchegar o estômago, por esta ordem. Escolhi paella e fui tratar de mim. 

Enquanto esperava, fui enxugar-me o melhor que me foi possível e comecei a sentir-me um pouco melhor. Chegou finalmente, a escaldar, com um aroma que adivinhava algo de bom. Comecei a comer e na verdade estava uma delícia. Foi a melhor paella que me lembro de ter comido. Seria porque, depois daquela odisseia estava num lugar confortável e abrigado, seria porque já tinha alguma fome ou porque na verdade estava particularmente bem feita? Talvez tudo junto. 

À medida que ia desaparecendo na frigideira, na proporção inversa eu ia ficando cada vez mais reconfortada e quente. Abençoada paella que me aqueceu e me fez renascer, não das cinzas, mas do desconforto de uma grande molha e do frio, num dia em que o mais sensato teria sido ficar no hotel. Pela janela do restaurante via que o tempo continuava sem o menor sinal de melhoria.

No regresso ao hotel enfrentei-o de táxi. 

Fiquem bem.

 

07
Nov18

Frutos de Outono - Castanhas


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 (Foto retirada da Internet)

 

No Outono é tempo de apanhar as castanhas e quando chega o frio é costume surgirem os vendedores de castanhas assadas, que apregoam - Quem Quer Quentes e Boas. 

Nas regiões onde se cultiva o castanheiro, a castanha desde sempre fez parte da alimentação das populações mais pobres. Mas nos dias de hoje são consumidas por todo o país e não só assadas ou cozidas, passaram a ser utilizadas das mais diversas maneiras, quer em sopas, purés, como acompanhamento de carne e muito em especial em vários tipos de doçaria. 

No dia de S. Martinho, que se celebra a onze deste mês, segundo o provérbio popular, é o dia de ir à adega e provar o vinho. Comer castanhas faz parte desse ritual, por isso um pouco por todo o país, embora com algumas variações, de região para região, é tempo de fazer o Magusto. Trata-se de uma reunião de familiares e amigos, que se pode estender-se a grupos mais alargados, seja de vizinhos, dos habitantes de uma aldeia, de uma rua ou de um bairro. A finalidade é reunirem-se junto de uma fogueira, onde se assam castanhas se bebe vinho novo ou não, quase sempre água-pé e jeropiga.   

Fiquem bem.

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